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Acumuladores de Animais

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Texto escrito por:
Brunna Gabriela Gonçalves de Oliveira Ferreira
Júlia Amorim Faria

Revisado por:
Gustavo Xaulim

O transtorno de acumulação de animais, também conhecido como “Síndrome de Noé” é uma psicopatologia humana, caracterizada pelo acúmulo de animais em quantidade que excede a capacidade de proporcionar qualidade de vida e bem-estar. Torna-se necessário um suporte multidisciplinar dos serviços de saúde local e órgãos públicos responsáveis, garantindo ao paciente uma abordagem humanitária e integral.

É fundamental que, durante a abordagem, os animais sejam considerados para que, no futuro, tenham melhores condições de vida, bem-estar e maiores oportunidades de serem reinseridos em outros núcleos familiares ou de melhorarem sua qualidade de vida. Uma eventual omissão do poder público e do serviço de saúde municipal pode desencadear inúmeros problemas ambientais, expressados, sobretudo, por ofensas ao Direito Animal, sem olvidar das questões atinentes à saúde humana.

Existem características que expressam o comportamento de uma pessoa em situação de acumulação de animais, como ser tutor de um grande número de animais sem capacidade de cuidado, o apego excessivo e o não atendimento das liberdades necessárias para promoção de bem-estar animal. Dessa forma, como se trata de uma desordem psicológica, o acumulador tem a dificuldade de compreender a crueldade e o sofrimento gerado ao alojar um grande número de animais em um espaço limitado, chegando muitas vezes a negar a situação.

Geralmente os animais estão em situação de superpopulação, possuem doenças, ectoparasitas, endoparasitas, problemas comportamentais, fome e sede, podendo vir a óbito devido às condições insalubres. Ademais, ao verificar as condições ambientais de locais onde pessoas em situação de acumulação alojam animais, geralmente pode-se perceber condições sanitárias precárias, com acúmulo de lixo, fezes, urina e móveis que comprometem o uso pretendido e colocam em risco a saúde dos seres vivos inseridos no ambiente. (RODRIGUES, 2019)

O perfil das pessoas em situação de acumulação é característico: a maioria dos casos são mulheres, acima de 60 anos, solitárias e que possuem um trauma prévio. Ademais, existem metodologias de classificação desses indivíduos, sendo divididos em três perfis preponderantes: cuidador sobrecarregado, salvador em uma missão e explorador de animais.

O cuidador sobrecarregado tem consciência do problema e tenta oferecer os cuidados ideais, entretanto, por questões financeiras ou de saúde, não consegue. Pode possuir alterações sociais: depressão e pouca interação com outras pessoas. Nessa situação, os animais são vistos como família e a auto estima é ligada ao papel de cuidador. A pessoa, nessa situação, permite acesso à propriedade, tenta seguir as orientações dadas e adquire os animais passivamente para fornecer abrigo e alimentação.

O salvador em uma missão tem forte sensação de que está cumprindo uma missão e acredita ser o único que pode cuidar dos animais. Inicialmente realiza resgates seguidos de adoção, tem dificuldade em recusar novos animais, evita autoridades, impede o acesso à propriedade, teme a morte desses animais, se opõe à eutanásia e adquire animais ativamente.

O explorador de animais é a categoria mais difícil de lidar, visto que não tem empatia pelos animais e os utiliza para o bem próprio. É articulado, passa confiança, acredita ser superior aos demais e adquire ativamente para suprir necessidades pessoais.

A acumulação de animais é um problema individual e de saúde coletiva e a intervenção precisa ser realizada de forma interdisciplinar. Caso não haja um acompanhamento contínuo desse indivíduo a possibilidade de recidiva é alta. É preciso criar vínculo para estabelecer uma relação de confiança, reduzindo o isolamento social e dando enfoque a temas relacionados ao luto, perda e apego emocional. (FROST; PATRONECK; ROSENFIELD, 2011)

A abordagem de pessoas em situação de acumulação demanda o uso de um modelo terapêutico adaptado para cada caso, evitando situações capazes de exacerbar sua compulsão, objetivando prevenir recaídas. Sugere-se uma intervenção empática, em conjunto com profissionais capazes de reconhecer e trabalhar o transtorno. A intervenção não deve objetivar, meramente, recolher os animais em guarda da pessoa em situação de acumulação, mas visar a situação na totalidade e trabalhar para evitar recidivas e traumas, preservando a vida do tutor e dos animais e considerando a qualidade de vida de todos os envolvidos e os vínculos criados entre eles. (SCHMIDT; DELLA MÉA. FORTES WAGNER, 2014)

Nos municípios é preciso realizar um trabalho articulado. O primeiro passo é a publicação de uma Instrução Normativa, decreto ou Nota Técnica, de modo a regulamentar e estimular a criação do Comitê de acolhimento e monitoramento de pessoas em situação de acumulação, assim como outro para regulamentar a criação da gerência de Defesa Animal no município. A segunda ação consiste na criação da gerência de Defesa Animal vinculada frequentemente à Secretaria Municipal de Saúde (como em São Paulo) ou à de Meio Ambiente (como em Belo Horizonte), e que de forma conjunta à outras secretarias desempenhará ações importantes junto aos indivíduos em situação de acumulação e seus animais. A terceira ação consiste na elaboração do comitê de trabalho intersetorial de atenção à situação de acumulação (CIASA).

O acompanhamento de indivíduos em situação de acumulação é longo e ininterrupto para mitigar recidivas. É necessário implementar uma abordagem holística que contemple ações para o controle da situação de risco e a reinserção do indivíduo na comunidade, incluindo sua família e seus vizinhos.

REFERÊNCIAS

  1. Coordenadoria Estadual de Defesa da Fauna. Atenção aos acumuladores de animais, leishmaniose visceral canina e esporotricose zoonótica. 2021. 134 p. Disponível em: <https://defesadafauna.blog.br/wp- content/uploads/2021/03/guia-mpmg-cedef-ufmg-atencao-acumuladores-esporotricose-e-leishmaniose- 1.pdf>
  2. Rodrigues CM. Acumuladores de animais na perspectiva da promoção e da vigilância em saúde. ABCS Health Sci. v. 44, n. 3, p. 195-202, 2019.
  3. Frost RO, Patroneck G, Rosenfield E. A Comparison of Object and Animal Hoarding. Depress Anxiety. v. 28, n. 10, p. 885-891, 2011.
  4. SCHMIDT, Diego Rafael; DELLA MÉA, Cristina Pilla; FORTES WAGNER, Marcia. Transtorno da Acumulação: características clínicas e epidemiológicas. CES Psicología, v. 7, n. 2, p. 27-43, 2014.

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